
Professor Roberto Rodrigues, Reitor da UFRRJ

Mesa da Aula Magna Inaugural do IM – 2026.2

Profª Cristiane Cardoso
“O papel da Ciência frente a crise climática global: desafios da universidade“. Esse foi o tema escolhido pela Universidade Rural que serviu como tema central das aulas inaugurais dos três câmpus da instituição (Seropédica, Nova Iguaçu e Três Rios) e que marcou o evento de recepção aos novos calouros da instituição. Quem discorreu sobre o assunto foi a professora/doutora do Departamento de Geografia do IM/UFRRJ, Cristiane Cardoso, que também é vice-presidente da Comissão Permanente de Acompanhamento das Mudanças Climáticas. O órgão foi instituído no âmbito da UFRRJ no dia 7/8/26, mediante publicação da portaria 5021/2026 – GABREI (gabinete da Reitoria)
No auditório do Instituto Multidisciplinar (câmpus Nova Iguaçu), os novos e os veteranos estudantes prestigiaram em grande número a aula magna inaugural, além de professores e servidores técnicos de diversos departamentos do IM.
Inicialmente, a mesa que dirigiu os trabalhos contou com a presença do Reitor da Universidade Rural, professor Roberto Rodrigues, além das Pró-Reitoras da Graduação, professora Miliane Moreira, Joyce Alves (da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assuntos Estudantis), do diretor do IM, professor Márcio Borges e do discente Matheus Martins, coordenador e representante do DCE (diretório central dos estudantes) da UFRRJ.
Quem primeiro fez uso da palavra foi o estudante de História do IM/UFRRJ, Matheus Martins. Ele falou na condição de coordenador e representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Rural. Matheus fez um breve relato sobre a trajetória histórica de luta e resistência do movimento estudantil ruralino, principalmente durante os “anos de chumbo” da ditadura militar pós-1964, ocasião em que foi duramente reprimido pelos órgãos de segurança do regime. E ressaltou que o DCE da Rural esteve presente e atuante também na famosa “Passeata dos Cem Mil”, como representante maior da comunidade discente da UFRRJ. Matheus fez questão de ressaltar a todos os estudantes ingressantes que o DCE estará sempre de portas abertas para recebê-los, prestando dessa forma todo o apoio necessário para o encaminhamento de sugestões, pedidos e reivindicações, além de denúncias de eventuais irregularidades que venham a surgir no âmbito universitário.
Em seguida, foi a vez da professora Joyce Alves, Pró-Reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil, dar as boas-vindas aos novos estudantes da instituição. Ela parabenizou os calouros, ao definir como vitória a chegada deles ao ensino superior, apesar de todas as dificuldades enfrentadas por quem vive num país tão injusto e desigual. Joyce informou que a PROAES é a responsável pelo gerenciamento das políticas de permanência dos alunos, focando em reduzir a evasão e buscando melhorar o desempenho acadêmico por meio de auxílios financeiros, moradia, alimentação, saúde e inclusão. Entre suas principais funções e responsabilidades, destacam-se:
Planejamento de Políticas – propondo, coordenando e avaliando ações voltadas à permanência estudantil.
Assistência Estudantil – gerenciando programas de bolsas de estudo, auxílios e apoios socioeconômicos.
Moradia e Alimentação – administrando o alojamento universitário e o acesso a refeições nos restaurantes universitários.
Inclusão e Acessibilidade – coordenando suporte pedagógico e recursos para estudantes com deficiência ou necessidades específicas.
Atenção à Saúde e Bem-Estar – oferecendo serviços de acolhimento social, médico e de apoio psicológico.
Cultura e Esporte – fomentando atividades extracurriculares de esporte, lazer e cultura para o corpo discente.
A professora Joyce ressaltou que o objetivo maior é que a UFRRJ expresse e tenha cada vez mais a cara da Baixada Fluminense, refletindo e expressando as expectativas e anseios de seus estudantes, assegurando-lhes o direito à permanência e a conclusão de sua graduação, com dignidade. E dessa forma buscar melhorar sua qualidade de vida, a partir do aprimoramento de sua formação acadêmica e intelectual.
A Pró-Reitora lembrou aos alunos da importância de acompanharem as novidades, projetos e editais da PROAES, publicadas no portal da universidade (www.ufrrj.br) e no Instagram (www.instagram.com/proaes.ufrrj).
Em seguida, a Pró-Reitora de Graduação da UFRRJ, professora Miliane Moreira, abordou as principais atribuições do órgão que são o planejamento, coordenação, execução e supervisão das políticas de ensino superior. A Prograd acompanha a vida acadêmica do estudante desde o ingresso – como no SisU – até a expedição e o registro do diploma de graduação. Suas principais funções e responsabilidades são:
Acesso e Ingresso – Coordenar processos seletivos e de matrícula para novos alunos.
Controle Acadêmico – Gerenciar o registro da vida acadêmica, histórico e emissão de diplomas.
Programas Acadêmicos – Administrar ações voltadas a estágios, monitorias e programas como o PET.
Avaliação e Projetos – Propor e avaliar diretrizes para os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) e a qualidade do ensino.
Convênios – Articular acordos de cooperação acadêmica e mobilidade dos estudantes
Em sua intervenção, o professor Márcio Borges buscou enfatizar os pilares institucionais do Instituto Multidisciplinar, em consonância com sua própria atuação como diretor do IM/UFRRJ. Ressaltou o papel fundamental da Universidade Pública na democratização do saber, tendo o acesso ao ensino superior gratuito e de excelência como ferramenta de transformação social numa região pobre e invisibilizada como a Baixada Fluminense. Outro ponto de destaque apontado por ele foi o compromisso regional da instituição, ao conectar o Ensino e a Pesquisa aos desafios da realidade social em que o IM está inserido. O professor Márcio Borges deu ênfase também ao protagonismo estudantil, incentivando os calouros a participarem ativamente da vida acadêmica, indo além da sala de aula. Para tanto, anunciou que seu gabinete permanece sempre aberto a todos, estando disposto a ouvir e dialogar acerca das demandas, sugestões, reclamações e reivindicações que porventura sejam encaminhadas pelos estudantes à direção do instituto.
E no quesito Diálogo com a comunidade, o diretor do IM/UFRRJ informou que tem procurado promover constantemente a elaboração e desenvolvimento de projetos em parcerias do instituto com escolas, redes públicas, movimentos sociais locais e prefeituras dos municípios vizinhos ao câmpus Nova Iguaçu da UFRRJ.
Em sua saudação aos calouros, o Reitor deu as boas-vindas a todos os ingressantes da UFRRJ, que fez questão de destacar a característica principal dela: a de universidade pública e de excelência da Baixada Fluminense. Ele alertou para um fato de suma importância na vida de todos os calouros: a partir de agora, uma fase de estudos e pesquisas se inicia, prevista para durar de 5 a 7 anos e que definirá o futuro, a projeção profissional e a formação da vida de cada um destes novos estudantes. Outro dado importante alertado pelo professor Roberto é a construção coletiva da noção de cidadania dos estudantes da UFRRJ, onde o DCE cumpre importante papel no contexto da mobilização e na formação da consciência do corpo discente. O Reitor da UFRRJ aproveitou para informar ao público presente que é professor do curso de Ciências Econômicas do Instituto Multidisciplinar, vinculado ao Departamento de Economia da instituição. Ele incentivou os alunos a saírem da chamada “zona de conforto” e assim formarem senso crítico e questionador, durante o período de permanência na universidade, procurando sempre não se conformar com versões de fatos e acontecimentos dados como “verdades absolutas”.
O Reitor da Universidade Rural ressaltou que os novos alunos estão ingressando no sistema de ensino mais qualificado do país e denunciou que está em curso uma briga ideológica na sociedade, que tenta desacreditar e desqualificar a universidade pública no país. Para rebater esses ataques, o professor Roberto Rodrigues lembrou que o câmpus Nova Iguaçu da Rural (Instituto Multidisciplinar) já tem 20 anos de história, cumprindo a missão de formar e transformar estudantes em cidadãos, através do conhecimento. Por isso, participar da história não combina com acomodação. Ele exortou os novos alunos a se sentirem responsáveis por representar a Baixada Fluminense no contexto da universidade pública brasileira.
MEC aprova criação de dois novos cursos no IM
Uma boa notícia foi dada pelo Reitor durante sua palestra na Aula Magna: o Ministério da Educação aprovou a criação, no âmbito do IM, de dois novos cursos: “Reorganização da Ciência da Computação e Inteligência Artificial” e um segundo curso, denominado “Design Educacional”. Ambos vão somar-se a outros 11 cursos de graduação presenciais e à distância existentes no câmpus Nova Iguaçu da Universidade Rural, projetando de forma ainda mais positiva a instituição acadêmica na região e em todo o país.
No tocante à questão da crise climática, o Reitor assinalou a importância da UFRRJ abordar assunto de tamanha relevância no contexto da Aula Magna deste segundo semestre de 2026, demonstrando que a universidade está conectada com a discussão e a busca de soluções de problemas complexos que afetam a Humanidade. Neste sentido, insere-se a valorização do conhecimento científico, do qual a universidade pública é a principal protagonista. Segundo ele, foi uma forma de se abrir as portas da academia para os calouros, priorizando a Ciência como ferramenta para o debate e reflexão acerca dos problemas atuais, e a busca de alternativas para superá-los.
A questão da crise climática
A palestrante foi a professora/doutora do Deptº de Geografia do IM/UFRRJ, Cristiane Cardoso. Ela também é vice-presidente da Comissão Permanente de Acompanhamento das Mudanças Climáticas, instituída no âmbito da Universidade Rural no dia 7/8/26, através da Portaria 5021/2026 – GABREI (Gabinete da Reitoria).
A professora Cristiane destacou em sua fala a importância da universidade em levar informação qualificada pelas pesquisas acadêmicas ao conjunto da sociedade. Com isso, torna-se possível trabalhar os dados com base na Ciência e o papel da universidade pública é provocar a reflexão sobre os problemas que afetam a todos, como esse da crise climática que o mundo está vivenciando na atualidade.
Ela declarou que vê com muita apreensão os eventos e seus impactos na saúde humana tornando-se cada vez mais recorrentes, como as enchentes, as tempestades severas com inundações, os vendavais e as ondas de calor extremo atingindo camadas cada vez mais amplas da população, principalmente as mais vulneráveis e que residem em áreas periféricas, sem acesso aos serviços de saneamento básico e expostas aos riscos a sua segurança física e a danos em seus locais de moradia. Além destes graves problemas, somam-se a perda de biodiversidade, escassez de água e prejuízos incalculáveis à segurança alimentar e à economia global.
Cristiane citou, como exemplo, um alagamento. Com o passar dos anos, percebe-se que tal fenômeno atinge um número cada vez maior da população pobre e vulnerável, com perdas materiais e de vidas humanas. Isso sem contar a perda de patrimônio ambiental, cultural, econômico e político.
A professora também observou que nesse processo de degradação ambiental, na vulnerabilidade também prevalecem as perdas por faixa etária e de gênero, com vítimas fatais no universo de pessoas mais idosas e também muito jovens. Ela chamou a atenção do fato de nosso clima no Brasil ser tropical e, por causa disso, as chuvas fortes vão continuar ocorrendo. Infelizmente, se nós (governos e sociedade) não conseguirmos refletir sobre modelos de cidades mais sustentáveis e resilientes, vamos continuar enfrentando os riscos de catástrofes provocadas pelas mudanças climáticas, decorrentes da destruição acelerada do meio ambiente, produzida a partir da mera ignorância sobre a importância dos recursos naturais para a vida ou movida pela ganância do lucro resultante da exploração desses recursos.
Nesse sentido, a palestrante ressaltou ser fundamental a preparação das cidades para o enfrentamento desse eventos climáticos extremos, num processo de conscientização que envolva a educação nas escolas, no trabalho, na família e em toda a sociedade, encarando a questão climática como algo a ser planejado e assimilado, como forma de prevenção contra os efeitos devastadores provocados pelas alterações do clima.
Por Ricardo Portugal – Assessoria de Comunicação do IM/UFRRJ
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