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Deputado Federal Reimont e professora Lúcia Capanema palestram sobre Direitos Humanos durante Semana de Integração no IM/UFRRJ

 

Diretor do IM/UFRRJ, o professor Márcio Borges fez a mediação do debate

 

Deputado Reimont palestrando no auditório do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ

 

Professora Lúcia Capanema no debate sobre Direitos Humanos – auditório do IM/UFRRJ

No encerramento do ciclo da Semana de Integração do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, uma abordagem sobre Direitos Humanos contou com as participações do Deputado Federal Reimont (PT) e da professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Lúcia Capanema, urbanista e pós-graduada em Planejamento Urbano e Regional. O encontro se deu na quinta-feira, 5 de março, no auditório do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu.

O parlamentar do Partido dos Trabalhadores começou sua fala saudando os presentes ao debate, dirigindo uma saudação especial ao diretor do IM/UFRRJ, professor Márcio Borges, agradecendo pelo convite feito para estar presente ao evento.

Direitos Humanos para todos os seres humanos

Ele defendeu que a política pública mais consequente e afirmativa relativa à questão dos Direitos Humanos tem que abarcar o conjunto de todos os seres humanos, uma vez que todos precisam e devem ser tratados com igual respeito e dignidade. E tais direitos estão intimamente ligados ao direito à vida, a proteção ao meio ambiente e ao uso racional e sustentável dos recursos naturais finitos que a Mãe Natureza nos dá.

E é nessa ótica, de acordo com o deputado Reimont, que precisamos construir uma sociedade onde impere o mútuo respeito entre todos, onde seja possível haver mais fraternidade e menos desigualdade, na perspectiva da solidariedade, do respeito à vida e aos direitos dos pobres.

Reimont defende que alguns mitos precisam ser desconstruídos em nossa compreensão sobre esse tema, que acabam negando nossa dignidade humana e a do planeta no qual habitamos. Ele deu como exemplo a própria educação superior, cujo acesso – até há bem pouco tempo – era exclusivo para determinado segmento social: os filhos das classes abastadas. Ou seja, apenas os ricos tinham condição de frequentar a universidade.

Outro exemplo em que se constatou o avanço da consciência na sociedade brasileira foi a classificação do racismo como crime hediondo e inafiançável. Há pouco tempo, achávamos que algumas pessoas “eram melhores do que outras”. Segundo o parlamentar, ainda que tenha havido uma desconstrução dessa ideia errônea nos marcos da legislação, a desconstrução pessoal e comunitária ainda precisam ser feitas, num processo contínuo que não tem fim. Ele observou que ainda há muito ranço de racismo e machismo impregnados entre nós e que precisam ser extirpados do convívio social. E o esforço para essa desconstrução é uma tarefa da política dos Direitos Humanos.

Outra faceta diz respeito ao machismo, onde a sociedade considera os homens como uma espécie superior às mulheres. Reimont também defende que tal desconstrução precisa ser urgentemente feita, pois ela alimenta a prática de violência sexista, onde as vítimas sempre são as mulheres. Ele explicou que, em nossa sociedade, ao sexo masculino foi transmitida a ideia de “estruturação”, a partir da qual o feminino está numa condição de inferioridade. Essa mentalidade absurda e equivocada também precisa ser desconstruída pelos homens, os quais devem enxergar a mulher como um indivíduo merecedor de respeito no convívio do lar doméstico, na escola, no trabalho e na vida social.

Em sua intervenção, a professora Lúcia Capanema lamentou que o tema “Direitos Humanos” , embora premente,  seja abordado de uma forma tão grave, dadas as violações que presenciamos no cotidiano. Ela se referia aos diversos casos de feminicídios, agressões e estupros coletivos (como esse registrado recentemente em Copacabana), além de tantas guerras e conflitos armados sucedendo-se mundo afora, bem como sequestros de presidentes e assassinatos de líderes políticos e religiosos.

Para ela, o tema dos Direitos Humanos surge como uma força positiva de afirmação da Democracia e da Cidadania entre nós, ao mesmo tempo em que reveste-se de um grau de urgência e demanda inadiável, a partir de um quadro de crise política e social contra a qual nos defrontamos nos dias atuais.

A professora da UFF explicou que sua abordagem está contida em um curso online com duração de dez semanas, a partir do qual serão ministradas aulas para a preparação e formação de lideranças cuja tarefa será a de exercer e multiplicar a cidadania plena. Nesse sentido, os conceitos dessa cidadania precisam ser ensinados na cidade e no campo.

Lúcia contou que o alvo de reflexão nessa primeira aula foram os diversos aspectos e nuances ligados aos Direitos Humanos. Com o andamento do curso, nas aulas seguintes serão abordados o Direito à Cidade, à Habitação, e onde haverá um módulo abrangendo os mais variados direitos. Em seguida, outros módulos vão debater problemas urgentes do Rio de Janeiro (dentre eles, a segurança pública), política econômica e religião. Todo esse contexto será didaticamente referenciado com base no arcabouço jurídico do país, e em quê medida será possível a busca de saídas e soluções viáveis para os diversos problemas que afligem a nossa sociedade, no tocante a garantia dos Direitos Humanos.

Nesse sentido, a professora Lúcia pontuou que – tendo em vista a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas (em vigor desde dezembro de 1948), em cujo preâmbulo considera-se indispensável o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis como liberdade, justiça e a paz no mundo – o país precisa repudiar o atual quadro reinante de intolerância e violência contra mulheres, crianças e os mais vulneráveis, buscando mobilizar cada vez mais atores sociais e lideranças políticas para essa luta de respeito à cidadania e de afirmação dos valores civilizatórios.

Por Ricardo Portugal – Assessoria de Comunicação do IM/UFRRJ